É, acho que pode ser um começo de um texto.
Ando meio - pra não dizer completamente - pensativa e cabisbaixa, nestes últimos dias.
Fatos importantes estão acontecendo em minha vida nos últimos meses. Estão vindo assim de sopetão, sem aviso prévio.
Primeiro veio a noticia de que eu ia ser avó.
Demorei, mas aceitei. A demora não era no fato de que eu teria que aceitar a vinda do bebê e sim a condição de AVÓ.
Tudo bem: aceito. Aliás, tinha outra alternativa? Claro que não.
O que mais me deixava preocupada nesta história toda é de que o pai da cria, meu filho mais velho, tem uma doença crônica, chamada Anemia Falciforme (joga no Google) e que até que a medicina ache uma cura para esta doença, ele dependerá de muitos remédios para ter uma vida "quase normal".
Isto inclui muitas idas e vindas ao hospital e o pior de tudo isto é que são idas e vindas dolorosas. São chamadas de crises álgicas.
São dores terríveis, que a cada crise, se localiza em uma parte diferente do corpo.
Geralmente quando elas vem, é noite, madrugada. E lá vamos nós (eu e ele) correndo pro hospital.
Liga pra médico, chama médico, pede leito, soro na veia, medicação forte (codeína, morfina e todas as "inas" pra dor), grito de dor, emergência lotada, aperto de mão.
Choro.
Acho que estou ficando velha, pois antigamente eu quase não chorava no hospital, aguentava no osso do peito e deixava pra chorar no chuveiro.
Agora já não tô mais conseguindo segurar. Tenho que fugir pra um canto e me debulhar em lágrimas.
Vejo um futuro previsível (??) pra nós.
Sempre fui muito otimista. Desde pequeno ele sempre teve atendimento, sempre o melhor atendimento. Sempre confiei na medicina e apesar dele ter feito muitas transfusões, em uma época que se pegava até gripe na transfusão, ele nunca teve nada.
Graças a Deus.
"Andá com fé eu vou, que fé não custuma faiá. Certo ou errado a fé vai onde quer que eu vá".
Mas de repente, Deus resolve te testar:
Vamu vê guria, até onde vai tua fé. E te dá mais um testezinho de resistência. Resistência de fé e pro teu filho resistência de saúde.
Agora, além da Anemia Falciforme, foi detectado Hipertensão Arterial Pulmonar (joga no Google). Consequência da própria anemia. Sim, é grave.
Ele andava se queixando de tonturas. Não conseguia correr nem pra pegar o ônibus.
E nós achando que era alguma "coisinha" insignificante. Ledo engano!
Como diz minha amiga Grazi (que saudade!):
- Me caiu os butiá dos bolso!
- E agora José? (esta expressão é da Grazi também)
É......mais uma pedrinha pra gente chutar.
Tá. Daí ontem fiquei em casa com uma crise de enxaqueca. Tudo-junto-reuinido. Enxaqueca, TPM e sentimento de perda.
Uma vez li em algum lugar que a atriz Lucélia Santos gostava de lavar roupas quando estava deprimida, pra soltar os bichos.
Eu sou meio parecida com ela.
Quando tô assim, tenho que fazer alguma coisa pra mexer. Além de chorar é claro.
Então fui eu lá pra cozinha fazer uma faxininha. E não é que funciona mesmo? A gente pode ao mesmo tempo lavar as paredes, escutar rádio com aquelas músicas de drama e claro, morrer chorando. Mas tu tem que estar sozinha em casa. Isto é regra. Senão não dá. Porque ter que dar explicação porque tu chora enquanto limpa as paredes não dá certo.
Aí tu aproveita que tem um bloguesinho e no outro dia, quando tu tá mais aliviada, tu vai lá e escreve tudo.
Pode ser que ninguém leia, pode ser também que alguém leia e não dê palpite ou pode ser que algum amigo dê um pitaco. Vai saber.
Gente, não quero ninguém aí com sentimento de pena, pois eu, apesar de estar meio "down", não me dou a estas frescuras.
Acho que tudo na vida tem sua hora e seu lugar.
Se tiver que ser vai ser.
Se não tiver que ser, não vai ser. Super filosófico.
Agora até já consigo dizer pra Nathália: "Amada, vem com a vó". Dá um nó no estômago, mas é um começo!
Afinal, o futuro a gente vê numa bola de cristal? Claro que não.

Eles não são lindos?
Amo vocês, meus amores!









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